Carros abandonados no Sacomã
Comerciantes e moradores do Sacomã estão revoltados com a grande quantidade de carros, muitos sem condições de rodar, deixados nas ruas. O ponto crítico, segundo um empresário do ramo de alimentação, é a estrada das Lágrimas, entre as rua Caripurá e Alencar Araripe. Ela é itinerário de várias linhas de ônibus e com os veículos em ambos os lados, a pista fica afunilada e os congestionamentos são constantes. “Essa rua é estreita para o volume de tráfego que comporta, e os moradores ainda se acham no direito de fazer do leito carroçável extensão de suas garagens, seus pátios de estacionamento, seus galpões e até suas oficinas, tanto de automóveis como de motos”, desabafa ele. “Muitos veículos ali largados sequer conseguem se locomover sem a ajuda de um guincho”, acrescenta ele. “O fundamental seria proibir carros em vias públicas, mas outra possibilidade é deixar a estrada das Lágrimas como mão única, no sentido bairro-cidade, e utilizar a rua Alencar Araripe no sentido contrário”, sugere o empresário.
A estudante de música Aretha Vicentina de Toledo, de 17 anos, confirma as irregularidades que vêm ocorrendo na região. “Isso aqui sempre foi assim. Desde que moro no Sacomã, há mais de dez anos, vejo carros parados nas ruas. Mas, de uns tempos pra cá, o trânsito para, mesmo fora dos horários de pico”, disse.
O aposentado Romero de Freitas, de 68 anos, reside em frente a uma loja de departamentos, recém instalada no bairro, e diz que os caminhões de entrega de mercadorias param em fila dupla. “Os motoristas não ligam a mínima para as reclamações de quem ficou preso no trânsito. Eles olham, viram a cara e continuam a fazer seu serviço, como se nada estivesse acontecendo. Alguns chegam até a rir ironicamente do nervosismo dos motoristas parados. É uma falta de humanidade”, disse ele. “O povo daqui também é bastante folgado, pois larga os carros em qualquer lugar, atrasam a vida da comunidade e ai de quem disser que eles estão errados”, acrescenta Romero.