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Flor de S. J. Clímaco é celeiro de craques

Com o orgulho de ser o time varzeano mais popular da região, o Grêmio Recreativo Flor de São João Clímaco comemora esse ano seu Jubileu de Ouro. Fundada em 15 de março de 1952 por um grupo de oito adolescentes amigos que queriam montar um time para participar dos campeonatos de futebol disputados na região, a agremiação se destaca por sobreviver a diversas crises e ser uma das mais antigas do bairro, além de se transformar num dos maiores celeiros de craques da cidade.

Nesses 50 anos de atividade, entre os jogadores que despontaram do campo do Flor de São João Clímaco para os grandes clubes do país, estão Mosca, que defendeu a Ponte Preta na década de 70, o volante Magrão, do São Caetano, e os menos famosos Preguinho, que está no Corinthians de Alagoas, e Botão, do Nacional. O tesoureiro do time José Lauro Pereira afirma que foi ele quem levou Magrão para treinar na peneira no Azulão. “Levei porque sabia que ele tinha futuro. O Magrão é prata da casa, jogou no nosso time em 94 e 95 e morou aqui em São João Climaco”.

O time nasceu como Infantil Flor de São João Clímaco, mas logo jogadores mais velhos entraram na equipe, que mudou o nome para Grêmio Recreativo Flor de São João Clímaco. Hoje, o time é chamado apenas de Flor. Luiz Carlos Rigoleto, mais conhecido como Bigode, é um dos sócios mais antigos e lembra que o time cresceu muito rápido e em pouco tempo craques da época que moravam na região, como Lelo e Luiz Gordinho, já jogavam no Flor. “A fundação veio meio que de repente. Cada um ajudou do jeito que podia. Um deu um dinheiro, outros as camisas, meias, bolas, e assim foi montado o time. Naquela época, a única diversão da molecada era o futebol. Onde hoje está a favela do Heliópolis existia mais de 25 campos onde o pessoal jogava nos fins de semana”, lembra. Segundo Bigode, o nome Flor de São João Clímaco foi escolhido porque no bairro já existia o Floresta de São João Clímaco.

Cinquentão, mas com fôlego para novas conquistas, o Flor acumula inúmeros títulos, com destaque para o Torneio Açúcar União de 1969 e a 1ª Copa Independência do Ipiranga de1972, além das 30 participações no Desafio ao Galo, da Rede Record, onde permaneceu 11 partidas invicto.

Durante esse meio século, o Flor já passou por diversas crises e várias sedes, mas hoje, segundo o presidente Valdir Zufo, a situação é estável. Em 1954 foi para o Heliópolis, em 1970 dividiu sede com o Flor do Pinhal, em 1975 com o Milionáros, e desde 1992 está no Parque Fongaro, onde divide o campo com o Clube Atlético Arapuã. “A pior crise foi em 1991, quando perdemos o campo no Heliópolis, chegamos a pensar que o time ia acabar”, recorda Lauro, que jogou de 61 a 74 no Flor e depois virou técnico. Hoje, o Flor conta com 100 sócios, que pagam uma pequena taxa mensal  e alguns colaboradores que contribuem com R$ 100,00.

Atualmente Lauro orgulha-se de ver o filho jogando no time e de nunca ter pago para que algum jogador defendesse o Flor. “Pra jogar aqui tem que ter amor pela camisa, não tem dinheiro no mundo que pague o prazer de vestir as cores do Flor”. Uma prova disso é a torcida organizada Morro com Limão, que acompanha o time em todos os jogos.

Outro motivo de orgulho para o Flor de São Climaco é o tradicional jogo Preto contra Branco, realizado há 29 anos. O evento promovido sempre no final de dezembro tem  caráter beneficente e reúne uma equipe formada somente por jogadores negros que desafiam um time composto por jogadores brancos. Mas o grande charme do jogo está nos reforços de peso que o Flor ganha. Em 1999, por exemplo, os atletas do São Caetano, Adhemar e Magrão jogaram pela equipe dos brancos e marcaram um gol cada, na vitória por 3 a 0.

Outro fato lembrado com carinho pelos sócios do Flor é a participação de Milene Rodrigues, esposa do artilheiro da seleção Ronaldinho, em um amistoso ocorrido em 24 de junho de 1993. A partida contra a Seleção Brasileira de Masters também é destaque na história do time. “Jogamos contra Vladimir, Serginho Chulapa e outros craques e vendemos caro a derrota. A partida terminou 1 a 0 para eles”.

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